quarta-feira, 22 de julho de 2009

Vai Com Deus

Despedidas ao portão
Acenos distantes e incomodados
Eles se olham
Não desejam se separar
Mas a distância se impõe

As costas se viram
Um toma seu caminho
O outro entra pela porta entreaberta
Ambos lembram-se (sem saber, juntos)
Do abraço no portão

Alegria, entusiasmo e gentileza
É o que os outros devem ver
O coração, porém,
Apertado, triste e sozinho
Só se rende à solidão

Quantas não são as badaladas
E os giros do globo nos céus
Até que novamente se verão
Frente a frente
E tão próximos

A distância então diminui
Encontram-se
Olham-se
Abraçam-se
E entram juntos

terça-feira, 9 de junho de 2009

Subjetividades

Antes do tempo
Antes da vida
Antes do verbo e
Antes de mim
Oma et ue

Perto do cais
Perto do céu
Perto do limbo
Perto dos trilhos
Oma et ue

Junto contigo
Junto comigo
Junto com outros
Junto com todos
Oma et ue

Mesmo sozinho
Mesmo cansado
Mesmo soturno ou
Mesmo perdido
Oma et ue

Com medo ou coragem
Com força ou fraqueza
Com amor ou com ódio
Com paz ou com luta
Oma et ue

sábado, 9 de maio de 2009

Sonhação

Eu quero ver a luz do sol
Eu quero o cheiro da grama verde
Eu quero ouvir o canto dos pássaros
Eu quero sentir o vento nos cabelos

Eu quero o branco das dunas de areia
O negrume do céu estrelado
O azul das ondas do mar
E a aquarela do arco-íris

Eu quero um lugar só pra mim
Um só pro meu amor
Um lugar com alegria
E um lugar só pra nós dois

Eu quero a paz de um bebezinho
E a agitação do adolescente
Eu quero a sobriedade do adulto
E a doçura do idoso

Eu quero uma vida leve
Um amor que me compreenda
Uma família feliz
E uma partida tranquila

sábado, 25 de abril de 2009

Eu hostil

Tenho andado meio inconstante
Esperando a neblina abaixar
Tenho me esquecido debaixo dos dias
E deixado o tempo passar

O ponteiro tem andado inconstante
Gira, para, gira, gira
As vezes giro junto
E entorpeço-me de ira

A saudade é inconstante
Me faz ficar triste e agitado
Cheio de uma sóbria loucura
Como um insensato frio e apaixonado

Apaixonado pelas minhas irrelevâncias
Verto em sonhos suas lembranças
Cerco-me de solidão
E me escondo, com medo, no porão


Poema escrito a quatro mãos por minha querida amiga loira Letícia e por mim.
Sexta, msn, nada para fazer, amizade e sintonia fina.
O resultado você já leu. Espero que tenha gostado.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Friendship


Quando acabam as forças
Quando passam as horas
Quando se perdem os caminhos e
Quando não se tem mais pra aonde ir
Ainda existe algo mais

Quando parece que tudo acabou
Quando não se pode mais continuar
Quando o ânimo se foi e
Quando não se quer mais lutar
Ainda existe algo mais

Quando todos se foram
Quando até sua alma se cansou
Quando não há mais palavras e
Quando se esquece da paz
Ainda existe algo mais

Quando precisa-se de descanço
Quando o trabalho é demais
Quando até respirar sufoca e
Quando não se tem pra onde olhar
Ainda existe algo mais

Quando se quer tirar férias de si próprio
Quando o outro não corresponde
Quando não se sabe nem o que se sente e
Quando a dúvida toma seu coração
Ainda existe algo mais

Existe alguém com quem se pode contar
Existe alguém que se importa contigo
Existe alguém que só quer ser seu amigo e
Existe alguém que te aceita como você é
E este alguém é feliz por saber que pode te ajudar sempre!

Este poema foi escrito por volta das 2h40 min da madrugada de segunda para terça. Dá para ver pelo horário da postagem não é?
Foi escrito para um amigo que certamente saberá que foi para ele. Me asseguro de não ter dúvidas sobre isso!
Espero que goste e abraço a todos

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Não vá embora


Não vá embora
Espera mais um pouco
Deixa eu te dizer quem sou eu
Deixa eu ver quem você é

Não vá embora
Você chegou tão cedo
Mal aproveitamos o tempo juntos
Mal pudemos nos conhecer

Não vá embora
Eu sei, faz anos que está aqui
Mas isso não quer dizer nada
Só quer dizer que você pode ficar mais

Não vá embora
A saudade vai ser tão forte
A distância tão cruel
A solidão tão grande

Não vá embora
Eu te quero perto de mim
Mas se não vai mesmo ficar
Então eu vou com você

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Senhora do Lago

Senhora do Lago
Não chores pelo teu amor
Ele partiu para as estrelas
Mas te aguarda entre as nuvens

Senhora do Lago
Seca as lágrimas do seu rosto
Abra então um belo sorriso
E alegra a tua face

Senhora do Lago
Teu amor não está tão distante
E te quer feliz da vida
Feliz com a vida que deves ter

Senhora do Lago
Teu amor te olha sempre
Contempla-te toda noite
E te abraça em teus sonhos

Senhora do Lago
Teu amor também te ama
Também te quer ao lado dele
E nem o céu os separará

Senhora do Lago
Alegra-te sempre
Saiba qu’ele vai voltar
E que não demora a chegar

Senhora do Lago
Corra logo até o portão
Seu amor já está lá
Esperando seu abraço

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Lux Nocturnus


Pela janela aberta
Vejo que o sol está negro
E o céu coberto de nuvens
Caminho pela penumbra
Nem sei onde estou
Só sei que estou sozinha

Lá dentro as sombras gritam
E os vultos movem-se lado a lado
Não abro a porta
Não falo mais
Nem sei onde estou
Só sei que estou sozinha

Joguei os dados
E rolei com eles
Tenho todo controle
E não sei quem sou eu
Nem sei onde estou
Só sei que estou sozinha

Cansada eu me deito
O Universo é tão grande
Mas há estrelas no teto
E tudo está normal
É que hoje a insanidade bateu à minha porta
E eu deixei-a entrar


Esta postagem foi especialmente para a minha amiga loira Letícia. Os dois últimos versos do poema são dela. E agradeço à Lud pela ajuda em traduzir o título paro o latim.
Espero que tenham gostado.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Rei Está Morto


O Rei está morto!
Mas seu filho ainda vive
A esperança se foi
Mas renascerá
A luz se faz presente
Não há perdas então!

O Rei está morto!
Mas seu filho ainda vive
Como a fênix o amor torna
A surpresa se faz presente
Presenteia os desatentos
E acalenta os sonhos deles

O Rei está morto!
Mas seu filho ainda vive
Trás carinho aos súditos perdidos
E justiça aos prisioneiros
A paz retorna ao reino
Pois o Príncipe agora é Rei